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Fotos por Tássia Costa

Eu sou muito grata pela existência dos shows. Um bom show é capaz de tirar a gente da pesada rotina cotidiana e recarregar as energias, dando um novo ânimo para o nosso espírito. Pois bem, meu primeiro show em 2019 foi o da Courtney Barnett, que fez sua estreia em Porto Alegre no palco do Opinião em 22 de fevereiro, e quero dividir um pouco desse momento com você.

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O show começou com “Hopefulessness” — canção abre o último álbum, Tell Me How You Really Feel, lançado em 2018 — e nos apresentou a uma Courtney com olhar ainda tímido, mas que nos primeiros versos já engajou o público.

Tocando o clássico “Avant Gardener” logo no início, Courtney comprou o público, mas foi a dobradinha “Need a Little Time” (uma das músicas favoritas do Obama) e “Nameless, Faceless” que cativou quem ainda não estava 100% investido no show.

Um dos meus momentos favoritos da noite foi em “Depreston”, canção mais calminha do disco de estreia, Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit, e uma das mais bonitas da Courtney. Eu já gostava da música, mas assisti-la ao vivo, com toda a plateia em coro cantando junto — e até mais alto que a própria Courtney — foi realmente incrível e de arrepiar, tamanha a intensidade desse momento.

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Não posso deixar de falar também de “Charity”, uma das músicas da cantora que aborda o tema depressão. Courtney aproveitou o momento para dedicar a canção à Isabela que, no storytelling que eu criei, é uma fã que ela conheceu durante o meet & greet, antes do show. Mesmo não sendo a Isabela, eu senti como se também fosse dedicada a mim — e a todos presentes que já passaram por algo parecido —, o que fez com que a emoção ficasse à flor da pele.

“Pedestrian at Best”, um dos principais hits da carreira da Courtney Barnett que está presente no primeiro álbum, encerrou a primeira parte do show e fez o Opinião inteiro vibrar na mesma frequência.

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O bis trouxe mais três canções. Na primeira delas, Courtney voltou ao palco sem a banda, acompanhada só de sua guitarra, e tocou uma versão solo de “Let It Go” — música que escreveu em parceria com Kurt Vile e que faz parte do disco do duo, Lotta Sea Lice. A responsável por encerrar o show, com banda completa e toda energia que restava nos músicos, foi “History Eraser”, do primeiro EP de Courtney, The Double EP: A Sea of Split Peas.

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Embora não estivesse em sua capacidade máxima, o Opinião ficou lotado com a sonzeira da cantora-guitarrista e sua banda, formada por Bones Sloane (baixo) e Dave Mudie (bateria), além, é claro, da energia compartilhada por cada um dos presentes. Os fãs da australiana e mesmo aqueles que não eram fãs ou não sabiam as letras de cor se uniram e viveram cada segundo desse show.

Ainda que tímida e mais introspectiva fora dos palcos, Courtney Barnett não deixa isso afetar sua performance em um minuto sequer — muito pelo contrário, dá tudo de si e destrói na guitarra em cada uma das músicas, mostrando a todos que possam ver e ouvir onde é que anda o rock and roll contemporâneo: nas mãos de uma mulher.

Ainda não conhece a Courtney Barnett? Vem cá ouvir.

Por Jennifer Baptista

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