Saí, mais uma vez, inspirada e leve do final de semana de formação da Premananda Yoga School. O quinto módulo foi conduzido por uma dupla muito especial. Teo Balieiro, com seu comovente conhecimento e trabalho sobre sustentabilidade (@cultivodojardimdoamor), nos falou sobre o Yoga devocional, e Renata Kherlakian, que nos contou sobre o poder das pedras, dos óleos essenciais e sobre a prática restaurativa.

Com o nosso casal de professores não foi diferente das histórias que tenho escutado desde que iniciei a infinita descoberta do Yoga e sua poderosa filosofia. Ela trabalhava com estilo e moda, e ele já com sustentabilidade, mas em um órgão público. Ambos transformaram totalmente suas vidas se aprofundando na prática e na teoria milenar. De brinde, se apaixonaram.

Como atraímos tudo o que vibramos, ver tão de perto e sentir a harmonia e o respeito mútuo do Teo e da nos fez também transbordar do significado mais amplo e belo que pode ter a palavra amor nesses dois dias. Uma dádiva em tempos de tanto desamor! Nunca foi tão necessário plantar a semente da compaixão e do respeito entre nós, que dividimos o mesmo planeta.

Entre pedras, cristais, mantras, chakras, depois de atingir um estado meditativo de verdade pela primeira vez (é emocionante, acredite) e de uma deliciosa dança coletiva, livre e cheia de contemplação e consciência espiritual e corporal, saímos, eu e uma amiga yoguini e colega do curso, direto para o barulhento e simbólico Fuerza Bruta — espetáculo argentino que está em cartaz na cidade. Foi contrastante, mas como disse nosso professor horas antes, o estado meditativo é tão vigoroso e eficiente para equilibrarmos nossas forças que é algo inexplicável — só experienciando para entender a magia da meditação. Teo nos disse, ainda, que o que mais se aproxima dessa libertadora sensação é a arte, a dança, a poesia. Então, lá fomos nós, felizes e plenas, aplaudir os argentinos.

Não cabem mesmo em palavras o que pode acontecer com as pessoas apenas se elas pararem e respirarem. Não é papo de riponga tatuada, não! É estudado provado e comprovado em pesquisas e em todos os dias na vida prática de tantas pessoas modificadas pela meditação e pelo Yoga, como eu e os meus colegas da foto acima, a e o Teo. Um êxtase que transcende (anos luz) as macaquices no tapetinho e as poses esculturais e elásticas do Instagram.

Temos a capacidade e as ferramentas próprias para estimular cada chakra com o fluxo energético que inspirar e expirar provocam no eixo central do nosso corpo, exercitando esse tubo cósmico e misterioso, que fica exatamente no nosso centro, deixando-o límpido, vibrante e fluido — do esfíncter, passando por toda a caixa toráxica e alcançando o topo da cabeça. É nessa espiral imaginária de energia, nesse fluxo de ar e consciência potente que só nós temos a capacidade de mover e gerar em nós mesmos, que eu sempre pensei que é o cantinho onde mora a nossa alma.

Faz sentido que, ao liberarmos com compaixão e uma respiração presente esse rico e intocável espaço, deixemos mais leves e serenos nossos traumas, doenças, comportamentos compulsivos e improducentes.

Quantas vezes você podia ter respirado antes de falar alguma bobagem, agredir ou ser debochado e cruel sem necessidade?! Ou até mesmo antes de entrar em um ciclo de ansiedade íntima e torturante, que parece devorá-lo pelas entranhas mais obscuras da mente, em um labirinto emocional cansativo, estressante, além de muito perigoso, porque compromete a médio e longo prazo a sua saúde física, mental e emocional.

Parte desse equilíbrio harmônico está diretamente ligado aos nossos Shiva (masculino) e Shatki (feminino) internos. Explico: independente de gêneros e orientação sexual, nossa totalidade enquanto seres humanos é dividida entre nosso lado feminino (o esquerdo — o meu está inteirinho comprometido com dores físicas, da cervical, passando pelo joelho, sem esquecer o corte na altura da laringe, tudo do lado esquerdo —, preste atenção nos sinais físicos e recados que nosso corpo manda todos os dias…) e o nosso lado masculino. Não preciso dizer que estabilizar na coluna do meio é o grande canal.

Nosso lado feminino exalta nossas emoções, é nossa parte sensível (por ora, mais frágil), emotiva, cuidadora, maternal, amorosa, criativa, compreensiva, intuitiva, graciosa, onde habita nosso mais doce abstrato e também muitas das nossas fraquezas e dores.

Já nosso lado direito é o masculino, da força, da potência das decisões, da atitude altiva, disciplinada, um pouco rígida demais e racional, da ação objetiva, firme, concreta e grandiosa.

Para dar conta de viver por aqui ninguém (nem homens, nem mulheres) está mais seguindo os conselhos de Pepeu Gomes, que nos cantava deliciosamente nos anos 80 que “[…] ser um homem feminino não fere o meu lado masculino […]”. Quando expomos nossa raiva e o lado mais assustador da nossa agressividade é nosso lado masculino dominando o mundo. A graça está em deixar essa gangorra retinha, sabe? Difícil na prática, né?! Sem harmonizar ambos espectros dentro de nós, não estaremos prontos para sermos íntegros em nossas relações em nenhum âmbito — nem com o planeta e nem para protagonizar uma história de amor leve e bonita como a da e do Teo —, com respeito e dignidade.

O meu lindo domingo estava quase acabando quando liguei a televisão, e a primeira notícia que apareceu foi do espancamento no Rio de Janeiro. O que o cretino ex-futuro advogado Vinícius Batista Serra fez no rosto da Elaine Caparróz me enojou. Saí da frente da televisão, enchi um copo de água para regar a muda de palmito-juçara que ganhamos do Teo e lavar as pedrinhas que ganhamos da . Espiei a lua da janela, e ela brilhava cheia. Eu sentia um misto de repulsa e dor com a cena que acabara de assistir na TV e pensava como uma pessoa poderia ter apanhado tanto a ponto de tomar 40 pontos na face. Doeu em mim. Respirei fundo, enchi os pulmões de ar, os olhos de lágrimas e o coração de compaixão e gratidão.

Gratidão por ter abraçado com tanto amor e inteireza a minha turma naquela tarde linda e também apenas por existir…

Nossa semente vai crescer.
Obrigada, turma.
Obrigada, Rê & Teo.

Amo vocês e tudo o que significamos juntos nesse planeta muito maluco, mais ainda tão bonito.

Por Mariana Bertolucci

  1. Adriane Casagrande says:

    Amei!!! Vai de encontro com tudo que tenho estudado e tentado praticar ultimamente. Limpar as memórias e transbordar amor e energias positivas… como tu disse não é só um papo riponga, funciona e nos traz clareza e paz.
    Beijos Mari!!!

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