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Aurora, a mulher que me fez acreditar em fadas

No Opinião, a artista emocionou fãs misturando o humano e o místico

Fotos por Thamires Inácio.

Na noite da última quinta-feira, 23, cerca de 700 pessoas lotaram o Opinião para ver a artista norueguesa Aurora. Com um show transcendental, a cantora arrancou lágrimas dos presentes ao performar hits como “Runaway” e “The River” — músicas cheias de significado e encanto, duas palavras que parecem descrever perfeitamente todo seu repertório.

A última vez que a vi foi no Lollapalooza 2018, evento lotado de grandes atrações do pop, rock, indie, eletrônica e diversos outros ritmos. Entretanto posso afirmar que todas as minhas expectativas foram superadas. Em uma apresentação muito mais íntima, Aurora consegue colocar sua alma em cada palavra que deixa sua boca, transformando o final de um dia agitado em algo cheio de brilho e carregado de magia.

Desde a primeira música — “Churchyard”, do seu álbum mais recente chamado Infections of a Different Kind (Step 1) — o público foi tomado pela sua aura mística. Pode ser bobagem falar, mas Aurora parece ter saído diretamente das páginas de um livro de Tolkien. Sua presença emana algo de sobrenatural, élfico, que não passa despercebido por quem a vê dançar e cantar versos poéticos sobre florestas, animais, rios e sentimentos profundos.

Mesmo quem não conhecia muito bem as músicas acompanhou os refrões com vontade durante todo o concerto. Arrisco dizer que os melhores momentos foram suas interações com a plateia. Sincera, ela conversou com o público e até arriscou um pouco de português. “Estou amando tocar aqui. Posso ver o rosto de cada um de vocês”, contou, doce, entre uma canção e outra.

“My dreams become sweeter when something is missing.
I’m in love with the hunt itself.
It makes me feel alive, alive.”

Músicas de amor, como “Forgotten Love” e “I Went Too Far”, intercaladas com versos sobre força, tristeza e resiliência, como “Warrior” e “Infections of a Different Kind”, mostraram o poder e toda a técnica vocal da cantora. Impressionada com o público, a artista ainda falou sobre o quanto gosta de tocar aqui, no Brasil, e que estava triste por ter que ir embora.

Mas sua tristeza não atrapalhou nem um pouco o momento — pelo contrário, deu ainda mais emoção às melodias calmas. “Vou cantar uma música triste, porque sei que vocês gostam de músicas tristes — e eu também amo músicas tristes”, fez graça. E a galera toda deixou os sentimentos rolarem soltos junto à Aurora, que, ao longo da noite, me fez voltar a acreditar em fadas.

“Queendom” foi a escolhida para fechar a apresentação — canção que fala sobre empatia, minorias, suas lutas e vozes. A artista segurou uma bandeira do arco-íris, representando o público LGBTQ+, enquanto entoava “você tem um lar no meu reino. Você tem um lugar no meu reino”. Sob aplausos e gritos de apoio, saiu do palco, deixando gosto de quero mais.

Ainda em 2019, no dia 7 de junho, Aurora lança o álbum Infections of a Different Kind (Step 2). Assim como os outros fãs, aguardo ansiosamente — já que, desde a quinta-feira, não consigo escutar algo que não seja sua voz.

Perdeu o show? Confira as fotos na galeria e a setlist completa:

Por Thais Montin.

Categorias Bá Música

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