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Por que me apaixonei pela Karol Conka

Karol Conká em Porto Alegre

Não sabia o que esperar quando adentrei o Bar Opinião, na quinta-feira, 18 de abril, véspera de feriado. Conheci o trabalho da Karol Conka no clipe de “Toda Doida”, mas nunca havia estado presente em um show.

O trato com o público, a energia, a generosidade, a sinceridade em sua vontade de estar ali, naquele palco, próxima de todo mundo, sempre sorrindo e interagindo, me deixaram apaixonado pela Karol Conka.

No entanto, quando iniciou a apresentação, pontualmente às duas da manhã da já sexta-feira santa, passei a me questionar sobre o significado do figurino escolhido pela Karol Conka.

Qual era, afinal, o sentido daquilo? Por que uma clara referência ao uniforme da Seleção Brasileira de Futebol? De que maneira a roupa poderia dialogar com o single do álbum Ambulante, lançado ano passado?

A letra de “Kaça”, composta por ela em parceria com o DJ e produtor Boss In Drama, do hitToda Doida”, traria alguma resposta?

“Eles querem meu sangue na taça. Eu até acho graça. Isso não é uma ameaça, é a temporada de caça. […] Quer falar de superação? Muito prazer, sou a própria. Uma em um milhão.”

Depois de abrir o show cantando essa música, e de saudar os fãs com um sorriso absurdamente sincero —  o qual manteve do início ao fim da noite —, ela diz: “sou garota Nike, olha que fina.” Em seguida, exibe seu tênis, que, claro, é da referida marca.

Você deve ter começado a ver sentido no figurino. A rapper, patrocinada por uma empresa esportiva, estava fazendo, literalmente, um jogo comercial. Apenas uma divulgação. Foi o que eu pensei de início.

Só que, num show em Porto Alegre, sem uma superexposição midiática, surtiria efeito? Conclui logo que não. Havia algo maior que estava por vir, muito mais relevante do que enaltecer um patrocinador.

A resposta apareceu na forma como ela se apropriou do assunto. Na maneira usada para aproximar o tema futebol ao discurso das letras que compõem.

Antes de seguir o show, Karol Conka fez críticas ferrenhas ao trato dado às futebolistas brasileiras. Pediu ao público: “pesquisem quem são elas. Informe-se sobre as disparidades salariais. Vocês sabem quanto ganha um jogador e quanto ganha uma jogadora de futebol?”. No dia seguinte, pesquisei.

A manchete desta matéria do Uol, publicada ano passado, diz: “Metade das jogadoras de futebol não tem nenhum salário”.

Carteira assinada é coisa rara e salário máximo de R$ 5 mil: ser profissional no futebol feminino no Brasil é para poucas”, anuncia esta reportagem da ESPN Brasil sobre a vida das atletas brasileiras do futebol feminino.

A conclusão que tive foi de que, sim, fez muito sentido aquele figurino do show da Karol Conka em Porto Alegre.

“Você quer saber quanto eu ganho. Você quer saber quanto eu gasto. Sei que pra você parece estranho me ver bem-sucedida no que eu faço”.

Acima, um trecho da música “Bem-sucedida”. Não é preciso explicar mais nada para entender qual é o papo dado num show da Karol Conka.

Karol Conká no Opinião

Novas parcerias

Durante a noite, ela alertou: “fiquem de olho no meu Instagram, porque vem novidade por aí.” Isso deixou meu cérebro borbulhando em pensamentos e suposições.

Ao final, precisei encontrar um meio de tirar essa dúvida. Consegui, na hora de fazer a foto que ela calorosamente tirou com todos que foram para a fila na porta do seu camarim.

Karol Conká

O que, de fato, foi aquele recado? O que podemos esperar?

R: Tem parceria vindo, mas ainda não posso falar.

Nacional ou internacional?

R: Por enquanto, nacional. Chuta um nome.

Mencionei um nome. Prontamente ela disse que não. Sugeri outro. Ela respondeu apenas que, por enquanto, não pode falar oficialmente.

Curioso? Eu também. Muito!

Por Diogo Zanella

Fotos: Rodrigo Quinteros Gruner


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