Dois mundos, um oceano, duas culturas, uma lacuna
afastam ou aproximam?
Paralelo ou perpendicular?
Um tem natureza, montanha
outro, construção, engenharia
Corcovado, Torre Eiffel
que definem seu traçado, estruturam seu passado,
Dimensionam seu legado, revelam o inusitado.
Tem Leblon, tem Ipanema, Rivoli, Champs Elysées
Orla da praia, margem do Sena.
Amazônia e mata virgem, jardim e bois de Boulogne.
Tem monsieur e tem madame, tem até mademoiselle
Tem o ‘Seu’, tem a ‘Dona’, tem até ‘esse menino’
Tem linhagem, criadagem
nobreza, pobreza,
quartier, favela
chateau, barraco.
À mostra todo o desgosto, sorriso estampado no rosto.
Terrorismo, pacifismo
iluminismo, analfabetismo,
indignação, resignação
razão, emoção
pensamento, sentimento
questionamento, aquietamento
a mais pura filosofia, a labuta do dia a dia.
Tem vatapá e mungunzá,
escargô e fois gras
vinho branco, vinho tinto, cachaça e martelinho.
Tem baiana, tem clochard,
carnaval e operá.
Teve Varig, tem Air France, um milhão de viajantes, um milhão de
visitantes, itinerantes, imigrantes, errantes e amantes
chegando, passando, contornando, desviando, vindo e partindo,
chorando ou sorrindo.
Dois mundos, duas culturas,
uma fissura,
uma mulher.
Maria Alice Ripoll, Paris, junho 2026

…feliz de quem percebe esses mundos ao nosso redor…
Conhecer,apreender e sentir
Bonjour, je suis très émue, parallèles où transversales; les mots vont directement au cœur !
Parabéns, demorou mas valeu a pena, lindo demais!
Leitora sensível, atenta e muito querida. Merci ma chère cousine
Parabéns! Adorei ! Refleti e vi o quanto é necessário saber que os extremos andam paralelamente e em determinadas situações, para usufruir um, deixamos o outro.
Lindo o teu poema! Sempre nos surpreendendo!
Tua pena especial e sem par descreve dois mundos que não se confundem mas que se encontram na cadência, na musicalidade e no ritimo. Lindo, lindo!