Entre 6 de junho e 24 de julho o Museu de Artes do Paço recebe a exposição Educação Formal, de Tonico Alvares. A visitação é de segunda a sexta, sempre das 9h às 17h com entrada franca e o museu fica na Rua Montevidéu, 10, onde era a antiga prefeitura.
A mostra, composta exclusivamente por fotografias analógicas, é um mergulho no acervo inédito do artista. As imagens, capturadas entre a década de 70 e o início dos anos 2000, passam por lugares como Brasil, Índia, Afeganistão, Inglaterra e Suécia. A concepção da montagem, que une curadoria e projeto expográfico sob a ótica de um “filme expandido”, é de autoria da arquiteta e artista Laura Krebs, filha do fotógrafo.
A exposição parte da exploração desse acervo como fonte de origem de um triplo processo de formação sensível: a de Tonico, a de Laura, e a dos dois enquanto pai e filha. O conjunto, formado principalmente por registros da juventude do fotógrafo, articula retratos, paisagens, cenários urbanos e memórias de viagem. A partir desse universo particular e único, é construída uma reflexão sobre a força das imagens, o modo como nos relacionamos com o mundo e a sensação de descoberta.
A disposição das obras em múltiplos tamanhos e sem categorização definida reforça essa perspectiva. Como uma longa caminhada, um filme estilo road trip ou um romance de formação, os registros apresentam cenas, detalhes, motivos recorrentes, momentos de espanto ou contemplação. A expografia também busca investigar essa sensação, pensando o espaço do museu como ambiente de descoberta e evitando uma lógica puramente linear. O trabalho é o resultado de uma pesquisa que se pode dizer da vida inteira, realizada com maior ênfase ao longo do último ano, onde pai e filha selecionaram, digitalizaram, trataram e ampliaram as mais de 150 imagens a serem reunidas na mostra. As obras ocupam três salas do Museu de Arte do Paço entre os dias.
Natural de Minas do Leão, 1953, Tonico Alvares, é fotógrafo autodidata, tem 50 anos de carreira em trânsito entre o jornalismo e a produção autoral, operando do retrato ao abstrato. Seus trabalhos como repórter são tão expressivos para sua formação quanto as longas caminhadas que realiza diariamente e as diversas viagens feitas a trabalho ou lazer.
No currículo, o artista visual tem realizado individuais desde o final dos anos 70:Afghanistan – Stockholm, Kulturhuset (Estocolmo, Suécia, 1978), Suécia e Afeganistão, (MARGS, Porto Alegre, Brasil, 1979), Theatro São Pedro (Theatro São Pedro, Porto Alegre, Brasil, 1984), Rui 40 Anos (Bolsa de Arte, Porto Alegre, Brasil, 1992), Paris 48 horas, (Galeria de Arte do DMAE, Porto Alegre, Brasil, 2003), Elegância Gaudéria, Shopping Moinhos, Porto Alegre, Brasil, 2000), Paris – Índia, (MARGS. Porto Alegre, Brasil, 2000), Rastros, (MACRS, Porto Alegre, Brasil, 2011), Aço Corten (Galeria Gestual, Porto Alegre, Brasil, 2012), (Re)Tratar, OW! Art (Porto Alegre, Brasil, 2013), Redes (MARGS, Porto Alegre, Brasil, 2017), Baco (Vinícola Francioni, São Joaquim, Brasil, 2024).
Exposições Coletivas: 11 Photographes Brésiliens (Galerie D’Art François Mansart), Paris, França (2010), Fotorama-09 (Galeria de la Plaza, Colônia do Sacramento, Uruguai, 2009) Areias, (Faro Design, Porto Alegre, Brasil, 2025,
Laura Krebs (Porto Alegre, 1994) é arquiteta e artista com bacharelado em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e formação livre em artes visuais, passando pelo atelier de Charles Watson, no Rio de Janeiro, e de Guilherme Dable, em Porto Alegre. Sua atuação se dá entre espaço e imagem. Assinou a expografia da exposição Queria Lembrar do Meu Corpo, de Lara Fuke, no Museu do Trabalho, e o conceito da instalação Devices for Connection, durante a semana de Design de Milão.
