Por Clarissa Monteiro

Sabe, existem poucas datas que te fazem pensar, pensar de verdade. No Natal e no ano novo, por exemplo, você só está rezando com todas as forças para aquele seu parente irritante não beber tanto, mas e nas outras datas? Boa pergunta! Nas outras datas você fica tão preocupado em comprar que não poderia pensar, mesmo se quisesse. Em setembro, claro, é diferente, você têm um mês inteirinho para refletir, mas bem… talvez você não esteja refletindo o suficiente.
     Não estou falando daquelas pessoas que fazem um bilhão de postagens amáveis e compreensivas em setembro só para não se sentirem culpadas por agirem como perfeitos idiotas o ano inteiro. Tão pouco estou questionando quem usa uma data tão importante quanto essa para se promover. Esse pessoal aí vai se entender com a própria consciência. E sinceramente, nem com mil textos como esse eu conseguiria fazê-los serem menos babacas, meu problema não é com eles.
      Meu problema é com os panfletos. Àqueles panfletinhos que te ensinam como ajudar e falar com alguém com depressão. Não me entenda mal, por favor, a intenção desses panfletos é incrível, mas talvez, apenas talvez, seja bem mais simples. Antes de começar a decorar instruções; pare, pare e pense. E antes de pensar, antes de pensar, queira. Tenha vontade de ouvir, de entender e de se pôr no lugar do outro. Tenha vontade, vontade real, de ajudar.
      Ninguém está te pedindo para se comportar como um terapeuta 24 horas por dia, seria loucura! Também não estou dizendo para começar a jorrar palavras reconfortantes como uma cachoeira emocional. Só pergunte as pessoas que voce ama como elas estão. Não faça isso como um cumprimento banal, se interesse pelas pessoas,. Se você quer ajudar alguém, pergunte. Pergunte e ouça.
      No final, a ajuda mais importante do mundo não está nos textos ou nos panfletos. Nenhum panfleto vai te ensinar a amar, nenhum texto vai te ensinar a se importar, nem toda instrução acadêmica do mundo vai te ensinar a ser mais humano. No final, é tudo sobre querer ajudar, mas não só em setembro. Quem se importa ajuda em abril, em julho, em dezembro e em todos os outros meses do ano. Bem, meu amigo, já estamos encerrando, mas antes de terminar, me deixe perguntar uma coisa? Como você está hoje?


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