Renata Mozzini lembra da infância feliz em Porto Alegre ao lado dos pais e dos irmãos. Dos domingos no parquinho da Redenção com o pai, do primeiro dia de aula no Anchieta, onde estudou até o 4º ano, e dos mimos da avó materna. Quando ela tinha quase 10 anos, foram morar em Criciúma. “Voltamos para Porto Alegre quando eu tinha 13. As primeiras descobertas e amizades foram lá.”

De volta e matriculada no Rosário, ela foi escolhida para representar a turma no concurso de beleza do colégio.

“Fiquei em terceiro lugar, e ali começou minha carreira de modelo.”

O concurso foi organizado pela Ford Models; o mercado gaúcho estava aquecido, e a adolescente não parou mais de trabalhar. Sem abrir mão dos estudos, formou-se no ensino médio em 2000 e passou em Administração na UFRGS. Durante o curso, começaram as viagens internacionais e para São Paulo. No dia seguinte à colação de grau, foi morar na capital paulista.

“Valorizei as oportunidades de conhecer pessoas interessantes, viajar e ganhar dinheiro, mas também queria ter a vida ‘normal’ de uma menina da minha idade. Era cobrada em relação à magreza, pois sempre tive mais corpo, e para estar ‘seca’ não podia aproveitar os programas com amigas e a família. Sempre gostei de comer, foi um sofrimento.”

Apesar disso, foram 20 anos de carreira, e a top fez campanhas para as principais marcas brasileiras. “Tem coisas que uma modelo pode fazer para aumentar as chances de pegar um trabalho, mas não há garantia, ficamos à mercê da vontade dos outros.” Isso incomodava Renata, que sempre foi corajosa e senhora de si.

“Achava que podia tudo, adorava desafios e queria sair do Sul e me aventurar. Era uma busca incessante de provar não sei o que para não sei quem.”

Depois de 15 anos de carreira, ela e o marido na época (que também era modelo) abriram uma agência. “Era a oportunidade de passar para o lado de quem tanto me cobrava e tentar fazer cobranças com mais delicadeza e amor, diferente do que foi feito comigo. Para curar meu ego ferido, entrei em uma roubada. O mercado da moda não tem regras e nem escrúpulos. Tem muita gente legal e do bem no meio, mas a dinâmica é cruel e desleal. O mercado mudou com as mídias sociais, e o contato do cliente com o modelo direto ficou fácil. Descobrimos que os bookers estavam desviando trabalhos para formar uma agência própria. Foi um baque. Trabalhei tanto para tentar salvar o negócio que meu casamento acabou e nem percebi. Eram 12 anos de relacionamento.”

Foi quando o yoga mudou sua vida.

“Dificilmente alguém vai fazer yoga porque está bem e pleno, e sim quando precisa de ajuda. Meu casamento acabou, o meu chão se abriu, mas entendi que se criava um espaço para a transformação necessária e que precisava mudar tudo, e o yoga foi a ferramenta.”

Embarcou para a Califórnia para se encontrar e fazer a formação em yoga. Por meio de uma amiga em comum, conheceu Pedro Franco, que tinha uma escola de formação de professores lá. Na hora mais difícil, foi ele quem a acolheu e a convidou para ser sua assistente. Começava um lindo trabalho. Renata trouxe o conhecimento empresarial para organizar e ampliar a escola. De volta ao Brasil, desligou-se da agência, e com Pedro iniciou a primeira turma de formação da Premananda Yoga School no país.

“Tudo fluiu diferente da guerra que eu vivia antes. Depois dessa turma, já foram mais 10. A parceria foi mágica, e sou muito grata ao Pedro. Compartilhar essa filosofia de vida, que me curou e transformou, e ajudar a mudar a vida das pessoas é uma dádiva. Minha intenção é tratar todos sempre da forma mais amorosa possível.”

Sonhos

Trabalhava para poder ter tempo, para poder ter dinheiro, para poder estar na praia e fazer yoga. Decidi que não queria esperar mais por tempo ou dinheiro. Abrimos a segunda turma no Rio, e decidi me mudar (meu coração já havia sido fisgado por um amor carioca). Meu sonho era dar aulas na praia, e recebi o convite para participar de um projeto que oferece aulas gratuitas na praia. Recebo do patrocinador e os alunos fazem aula de graça. Não é um sonho? São mais de 500 alunos no Leblon e Arpoador, e o projeto está em expansão. Com a empresa que organiza, Mude, queremos levar o projeto para todo o Brasil.

Ensinamento

Abrir mão do controle. Eu achava que controlava tudo e todos. Aprendi que o controle é uma ilusão e que não controlamos absolutamente nada quando perdi tudo que eu achava que tinha e controlava. Mas comprovei mesmo quando parei de ser assim, e tudo aconteceu de uma forma muito melhor do que eu poderia imaginar ou planejar através do controle da minha mente.

Yoga e cura

Quando curamos nossas feridas, nos libertamos das ilusões, nos conectamos de verdade com a nossa essência, contribuímos para a cura e a conexão do mundo. A mudança e a cura começam dentro de cada um de nós. Quando nos transformamos, inspiramos e mudamos os outros ao nosso redor.

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Arrependimento

De ter sido tão corajosa e ter me jogado tanto na minha “vida passada” (meu nome, Renata, significa renascida). Hoje ainda tenho que lidar com consequências burocráticas e financeiras das minhas aventuras como empresária com o propósito errado.

Transformar

Preenche meu coração e alimenta minha alma levar essa ferramenta poderosa para as pessoas. É lindo ver alunos que sofriam de dores crônicas, depressão e tomavam remédios tarja preta se curando. Não tem dinheiro que pague.

Saudades e cidades

Em Porto Alegre, das amigas que estão tendo filhos e não estou perto. E da comida. Tenho mil desejos de comida, amo xis. Adorava morar em São Paulo pelas mil possibilidades que a cidade proporciona, mas amo morar no Rio. Estar na praia e na natureza todos os dias é um presente.

Tempo livre

Adoro estar na praia e fazer trilhas. O Pedro, meu namorado, é fotógrafo, e adoramos subir nos pontos altos da cidade e ver tudo de cima. Nessa conexão com a natureza, percebemos nossa grandeza e a nossa pequenez.

Corpo e alma

As pessoas estão percebendo que a busca incessante por reconhecimento e dinheiro não leva à realização real. As doenças modernas, que são a depressão, o estresse e o pânico, são sinais de que algo precisa ser cuidado. Não só o corpo, mas a alma. Não nos damos conta do peso que é manter a imagem que criamos, porque achamos que precisamos disso para sermos completos, aceitos e amados. É preciso desapegar das certezas absolutas e abrir mão do controle. A alma não quer sapatos: quer caminhar descalça, sentir a grama e a areia entre os dedos. Não quer roupas, quer nadar nua, sentir o sol tocar a pele, quer cabelos soltos, cara lavada e sorriso no rosto. A alma não quer apartamento de revista e lençol mil fios, quer deitar na rede, olhar estrelas e respirar ar livre. Sentir o cheiro da grama e das flores e tomar banho de chuva. A alma não quer relógio de marca, quer viver sem agenda.

Encerra lindamente a bela Renata.

Por Mariana Bertolucci

CategoriasBá Gente
  1. Alessandra says:

    Espetacular…
    Vc realmente é um ser especial, tem luz própria, conseguir transmitir uma vibe muito positiva.
    Vc é um ser totalmente do bem.🙏😍
    Gratidão pela sua vida🙏♥️

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