árvore das palavras - mariana bertolucci

Eu queria muito escrever um último texto em 2019. E vou. Porque sou otimista estilo Xuxa: “Tudo pode ser, só basta acreditar…”

Adoro os encontros e os rituais dessa época do ano. Foi o primeiro Natal que a Antônia montou sozinha as árvores aqui em casa. Ela herdou da avó Lina (que eu amo de paixão) o gosto pela data e os enfeites natalinos. Bem rápida e logo duas (ela gosta mesmo do Natal, temos meias de lã também pela casa). Na verdade, três árvores. Duas maiores e uma pequenina, que foi batizada, desde que ela era neném, de Árvore das Palavras. 

No primeiro ano de vida da minha filha, tive a ideia de decorá-la apenas com palavras. Como ela ainda não sabia escrever, ao longo desses 14 anos, fomos escolhendo juntas as palavras, falando sobre a importância e o significado de cada uma… Eu escrevia e nós duas, sempre colocávamos as antigas e também as novas, para enfeitar a nossa árvore. Repetindo algumas. Conforme a necessidade e o desejo de cada ano. 

As palavras Disciplina, Paz e Sucesso, por exemplo, eu achei em dose dupla. O que me fez chegar à conclusão que a pessoa (eu, no caso) quer sucesso, mas, pelo menos sabe que para alcançá-lo é necessário também disciplina e cabeça e coração em paz, na mesma medida. É o balanço e as contas nada-matemáticas que a vida nos impõe para sobreviver. 

Esse nosso ritual dessa época do ano eu quero continuar com os meus netos, para juntos enfeitarmos a nossa Árvore das Palavras. Mas e se eu não tiver netos? O que pode acontecer (por que, não?). Tudo bem. O importante é a intenção e a vontade que temos de seguir cultivando hábitos amorosos e bonitos na nossa vida. Com netos ou sem. Com palavras ou sem. 

Só não adianta adotar e reviver bons hábitos, sem deixar para trás os ruins. Essa lista, cada um tem a sua. A minha, às vezes, até que fica bem longa e incomodativa. Faça a sua, não adianta ninguém se meter, é que nem convite de festa bacana, pessoal e intransferível, viu? 

Junto com os ritos natalinos, hábitos bons e ruins, vêm a euforia e alegria das festas e das férias e, também, o atropelante dezembro. Quente, corrido, intenso, colorido, acelerado, repleto de expectativas, de consumo, de comilança, muitos brindes faceiros e do mais importante: os encontros com a família e os amigos. Os nada-secretos da vida inteira. 

As lembranças da infância, da adolescência, até os cheiros dos nossos avós nos revisitam. Memórias singelas e puras de um tempo tão bom e descompromissado, quando nem conhecíamos os hábitos ruins. Dos amores que não estão mais ao nosso lado nesse plano. Dos momentos felizes e dos tristes. De tudo que deu certo ou errado no ano que passou. 

E o que virá? Mais um tanto hábitos e atitudes que acabamos repetindo dia a dia, semana a semana, ano a ano. Quem não se  lembra de ficar embananado para escrever aquele parágrafo fácil e difícil ao mesmo tempo que as professoras chamavam de “Autoavaliação”?

Pois, o tempo, que parece passar cada vez mais rápido, não nos isenta da “Autoavaliação” sem professor solicitando. Permanente, na agenda, no celular, mentalmente, na hora do yoga, no carro, na missa, na hora de tratar bem TODAS as pessoas que passam pelas nossas vidas. Porque quase sempre o que “aqui se faz”, “aqui se paga”.   

Costumamos refletir um pouco mais nessa época por todo esse trenó emocional que nos conduz a nossos estados mais reais. Em um recanto muito íntimo e invisível, chaves poderosas e imaginárias da nossa evolução, que só nós sabemos onde escondemos. 

Antes de me despedir, fui espiar mais uma vez nossa Árvore das Palavras, que por aqui permanece sempre até o Dia de Reis, e vi que faltava “Confiança” (e se tudo já parecia ter sido escrito, sempre pode faltar confiança. Como não pensei nisso antes!!!). Outras duas palavras também estavam repetidas: Alegria e Esperança. Além de nunca ser demais, é exatamente o que desejo para nós em 2020. Ah, vou encerrar mesmo com outro verso da Rainha dos Baixinhos: “O sonho sempre vem para quem sonhar”. Tá bem assim?

Vem 2020!

Por Mariana Bertolucci

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