Amanhã (14/7), Zezinho Eichenberg abre sua primeira exposição individual na Galeria Stockinger às 18h. Com a criteriosa curadoria do arquiteto e doutor, Carlos Eduardo Comas, a mostra Cada um deixa um pedaço de si no outro nasceu na simplicidade dos rostos comuns. São cerca de 30 trabalhos em tinta acrílica em tela. Na sua maioria retratos de poucas linhas, e agrupadas, caras mais carregadas, construídas com bastante tinta e menor preocupação com a forma tradicional.
Quase que naturalmente, Zezinho encontra traços com personalidade e expressões fortes: “Tento diferenciá-las sem usar muitos traços. E vejo sentimentos diversos na grande maioria das feições”, explica o jovem artista.
Zezinho traz em sua arte o frescor da descoberta, a leveza do artista iniciante e de um caminho, que embora não tenha sido totalmente planejado, é bem natural para ele e promete ser muito interessante: “A pintura está comigo há bons anos. No início, sem temática. Mas sempre fui incentivado a praticar. Durante a pandemia, com 14 para 15 anos de idade, minha produção começou a ganhar mais nexo e a arte passou a ocupar um espaço maior.”
Aprofundando na vertente dos retratos simples e de poucas linhas, foi observando o trabalho da artista plástica Maria Tomaselli Pode pendurar como quer II assinado atrás em espiral e com pinturas em todos os sentidos, que ele despertou para a possibilidade de abrir a experiência da observação da arte aos espectadores: “Como se cada um interpretasse as pinturas da maneira que sentisse, quase um ‘trabalho em equipe’ entre quem cria e quem observa. Inspirado nisso, comecei a reunir várias caras em uma mesma tela, pintando-as em todas as direções e ‘acabando’ com a ideia de que a tela deveria ser pendurada em uma única posição”.
Para essa série, mesmo compromissado, seu processo de criação foi bastante espontâneo, sem muitas regras ou organização prévias. Uma cara ia surgindo sobre a outra, e a tela se formando ao longo caminho. A obra do estreante tem uma potência divertida e investe na mescla das cores intensas e na sobriedade dos tons básicos. Tudo parece meticulosamente bagunçado: “Estou exercitando o desapego, muitas vezes pinto por cima de uma que tinha gostado para continuar evoluindo. As pinturas são, na maioria das vezes, bem coloridas, produzo as cores que utilizo, na busca de que conversem entre si.”
Já a outra vertente da inspiração de Zezinho vem ainda mais livre, menos preso às formas e bebendo na fonte do trabalho do artista texano Emilio Villalba. São pinturas, ainda figurativas, mas em que a tinta acaba ganhando quase tanto protagonismo quanto a própria imagem. Camadas espessas acumulam-se e surgem relevos e texturas mais imponentes e linhas menos precisas: “Muitas vezes a expressão aparece no meio do processo, sem que eu tivesse planejado. Apesar de carregadas por muitas cores e pinceladas, tento fazer com que tudo converse visualmente, buscando equilíbrio não apenas excesso”, explica o artista.
Sobre o conceito das obras o jovem artista traz uma reflexão muito atual e necessária na rotina contemporânea: nenhuma das caras é formada por uma única cor ou por um único elemento. Nas pinturas mais simples, algumas feições são incompletas, de maneira que uma se molda e se mistura à outra, mostrando a relação que existe entre elas. Já nas caras mais carregadas, os rostos também são construídos à partir da junção de cores e camadas, como se fossem formados por diferentes partes: “Acho que isso acaba se aproximando muito do que acontece na vida real – Cada um deixa um pedaço de si no outro. Carregamos pedaços das pessoas que passam pela nossa vida e, ao mesmo tempo, deixamos algo nosso nelas também. Ninguém se forma ou se molda sozinho. Somos um pouco dos amigos, família. As obras acabam trazendo esse pensamento do coletivo.”, explica Zezinho.
A exposição poderá ser visitada até dia 7 de agosto, de terça a sexta-feira das 13 às 18h e aos sábados das 9h às 14h.
Sobre esse artista que acaba de dar seus primeiros e valentes passos nas artes visuais, Maria Tomaselli encerra com uma perspicaz pensata:
“Talvez em algum lugar entre Dubuffet e Basquiat.
Onde estou?
À esquerda? Direita? Em cima? Embaixo? Sozinho? A dois? A três? A muitos?
Com que roupa eu vou?
Liso? Amassado? Rústico?
O perfil negro com dois dentinhos brancos abre uma viagem pela paisagem do rosto humano, que aos poucos se aproxima de outros seres humanos. Como aquele, que se mira no quadro em cima de um cavalete.
Para em seguida se fundir com uma multidão desorganizada. Que gira. Que se vira. Que nunca pára.
A viagem do jovem artista recém começou.
As perguntas são muitas.
Viajar é perigoso, mas pintar é preciso!
Que a Rosa dos Ventos nunca te falte!
Boa viagem Zezinho Eichenberg”
SERVIÇO:
O QUE: Abertura da exposiçãoCada um deixa um pedaço de si no outro
QUANDO: Dia14 de julho, às 18h. A exposição poderá ser visitada até dia 7 de agosto, de terça a sexta-feira das 13 às 18h e aos sábados das 9h às 14h.
ONDE: Galeria Stockinger, Luciana de Abreu, 450 (Moinhos de Vento)
