Conheci a Mauren Motta quando éramos adolescentes. Sim, ela já era sabida. Se tinha festa, era com ela mesma. Se o assunto era sério, e alguém precisava de ajuda, ela estava a postos para mobilizar quem e o que fosse preciso. Ninguém pediu opinião? Não tem problema. Algo que ela sempre fez com prazer e propriedade foi dizer exatamente que pensa. Se agradar, melhor. Se não agradar, paciência.
A minha amiga e colega de profissão Mauren é assim. Ela já era comunicativa, cheia de graça, amigos, ideias, cores e penduricos bem antes de sair para sempre do anonimato, depois do enorme sucesso com o programa Patrola, que ia ao ar aos sábado pela RBSTV. Aos 14 anos, vendia sanduíche natural no colégio e aos 20 bijuterias na faculdade. Escolheu cursar Publicidade e Propaganda. Depois de formada, em 1997, foi para Nova York para trabalhar na Globo NY com o jornalista e amigo Zeca Camargo. Aprendeu a amar as cores, as luzes e a liberdade da cidade que nunca dorme: “Não tinha visto e voltei direto para a Globo São Paulo e produzi o Fantástico durante um ano. Sou do mundo.
Poderia estar em qualquer lugar. Não sei se por acaso ou por destino, a vida sempre me puxou de volta para Porto Alegre. Sou uma pessoa de Porto Alegre com olhar no mundo”. Hoje ela vive desde a enchente em São Paulo, cidade que escolheu para dar uma virada na rotina. Faz parte do time de conteúdo da plataforma ÁVERA, da também jornalista Astrid Fontenelle. No seu Instagram, ela traz todo o tipo de informação, cada vez mais bacana, não tem ruim para essa libriana, que ama festejar o aniversário e
Voltemos aos anos 2000. Em seguida, Mauren estreava o Patrola. Foram muitas fases e invenções até 2006: “O que mais marcou foi a liberdade que tínhamos de fazer o novo. E fizemos com muita entrega. Eu queria que as pessoas daqui olhassem para o mundo. Era um programa local com qualidade, criamos eventos nunca antes imaginados naquela época”. Depois da saída da TV, a energia da multimídia foi para um novo núcleo da Zeppelin: uma produtora de conteúdo de novas mídias. Em janeiro de 2007, nasceu a MM Conteúdo: “Foi a primeira produtora de conteúdo 360 graus. Tudo que envolve conteúdo, sempre com muita experimentação. Vídeos, sites, redes sociais, material impresso e ações customizadas.”
Encontrar formatos novos e gerar conteúdos impactantes e inéditos para as marcas é o desafio da inquieta comunicadora. Ela já o fez com maestria para clientes poderosos como, por exemplo, a Grendene, quando ajudou a criar o primeiro canal da Melissa no YouTube. Seu diferencial era algo natural em tempos em que surgiam as novas mídias e uma verdadeira revolução no que diz respeito ao namoro da tecnologia com a comunicação. Ela sempre esteve antenada às transformações e tendências. Não por exigência do mercado contemporâneo, como acontece hoje, e sim porque amava ir atrás de informações e novidades. Em 2017, realizou um antigo sonho: conhecer um lugar de que muita gente só ouviu falar anos depois, o Vale do Silício, templo da inovação, na Califórnia. “Eu, louca por inovação que sou, sempre quis conhecer. Amei”.
Toda essa experiência ela trouxe para o Conexões, canal digital que idealizou em 2015, hoje com milhares de seguidores e fila de espera na triagem de posts que esperavam publicação. Sob sua criteriosa e eclética curadoria, o projeto encontrou um ambiente ideal dentro da rede social para trocar experiências, serviços e divulgar negócios de maneira simples e atraente. A ideia veio da necessidade de fomentar o próprio negócio: “Notei que as pessoas também precisavam ajudar seus negócios. Por isso o Conexões explodiu e acabou virando loja física.
Não é regra, mas boa parte de seu talento criativo e seus projetos dialogam com a moda, uma de suas paixões: “Foquei no que eu queria fazer. Gosto de estar feliz, não fico sonhando, vou ali, faço e depois eu penso se vai dar certo. Tenho uma capacidade de criar e de colocar de pé as coisas. Acelero tanto que às vezes realizo fora do timming”.
Esperta, inquieta e apaixonada. Mesmo ciente de suas particularidades, ela sempre se sentiu capacitada para fazer vídeo, o que voltou a fazer com naturalidade no Conexões e desde sempre, assim que as redes sociais transformaram-se em canais autônomos de comunicação. Ela divide o carinho pelos três cãozinhos com o marido muito gente boa, Rogério. “Ele é amoroso. Um baita parceiro” elogia.
Expert e fã de redes sociais, antes de Steve Jobs dominar o mundo oferecendo sua sedutora maçãzinha, Mauren palpita (imagina se não!) sobre a caretice das redes sociais: “Principalmente no Brasil, há um monte de lixo, agressões e polarizações. As causas são muito doidas. Sou dona do meu nariz. Sempre falei o que acho. Ter opinião, às vezes, é o que basta para incomodar os outros”
Ser gordinha nunca foi exatamente um problema: “Foi difícil, mas me aceitei, e depois que tu te aceita, basta. Descobri meu jeito e encontrei meus caminhos. As pessoas são as mais preconceituosas consigo mesmas. Tenho que emagrecer, mas minha vida é tão boa, adoro cozinhar e comer. A vida é curta para a gente se boicotar ou não se aceitar do jeito que é. E bizarro que as pessoas se privem de tanta coisa. É uma relação muito louca”.
Ficar madura é bom por quê? “Algumas brigas tu não leva mais para ti”, reflete a social changer. Sim, os novos jornalistas e formadores de opinião agora são mais que in-fluenciadores, são pessoas populares, que mudam o mercado e provocam mudanças sociais e de comportamento: “É hora de ver como o mundo está mudando e se reinventar. Não tem fórmula do sucesso. Tem que fazer a diferença na vida das pessoas. E isso que me importa”.
Por Mariana Bertolucci
