A escritora apresenta hoje (19/5) às 19h, na Livraria Paisagem do Moinhos Shopping, sua nona publicação, o romance Baleia Assassina. Além da sessão de autógrafos, o evento terá um bate-papo entre Cíntia com a jornalista e palestrante Alice Urbim e as escritoras Claudia Tajes e Chris Cidade Dias – quarteto que elas nomearam de “Coletivo Suave Coisa Nenhuma”
Vencedora do Prêmio Jabuti e ex-patrona da Feira do Livro de Porto Alegre, Cíntia volta às livrarias 14 anos depois do seu último livro inédito. A escritora e jornalista, que acumula prêmios lança sua nona obra, o infantojuvenil Baleia Assassina pela editora: Escrita Fina, 136 páginas e pelo valor de R$ 59,90. Quem tem a sorte de conhecer um pouco mais a autora sabe que a obra tem tudo para ser uma extensão da escritora: divertida, amorosa, sagaz, crítica e consciente.
Em seu segundo livro infantojuvenil, a autora apresenta um romance de rara potência emocional e inteligência narrativa, em que um menino aprende a atravessar o “inferno dos vivos” sem se tornar parte dele — e, ao mesmo tempo, descobre como preservar o que não é inferno: os afetos, a coragem e a possibilidade de mudar o mundo ao redor.
“Baleia Assassina é um livro sobre inadequação física e sobre como caber no mundo com alegria e esperança — mesmo sendo gordo. E é também sobre preservação e sobre amor: às árvores, aos bichos e a tudo que vive e que existe e é bom”, avalia Cintia.
Narrado por Natan, um adolescente gordo, introspectivo e afiado (inclusive para as palavras), o livro começa com uma cena tão concreta quanto devastadora: ao se sentar na mesa do professor, ela cede, a sala explode em risos e o apelido nasce — “baleia assassina”. A partir dessa humilhação inaugural, Natan conduz o leitor por uma trajetória que combina humor, dor, consciência social e uma surpreendente trama coletiva: uma cidade ameaçada por estiagem, pressão urbanística e um projeto que pode derrubar árvores centenárias em nome do “progresso”.
Enquanto Natan lida com o bullying, com o próprio corpo e com o impacto de se sentir invisível (especialmente diante de Valentina, a menina que o desequilibra por dentro), sua mãe, Joana, bióloga e “ecochata” assumida, lidera um movimento de resistência que cresce até ocupar ruas, reuniões, árvores e consciências. A história costura, com naturalidade e ritmo, temas urgentes — sustentabilidade, reciclagem, corrupção, participação cívica — sem perder o que a sustenta: o cotidiano de uma família, a amizade (Luciano e Alice), o amor que nasce desajeitado e a presença fiel do cachorro Tim, porque “cachorro é uma forma de amor”.
Com linguagem viva, diálogo afiado e um protagonista inesquecível, Baleia Assassina fala de pertencimento e dignidade: o direito de existir sem ser reduzido a um corpo; o direito de reagir sem se perder; e a aprendizagem lenta — e necessária — de reconhecer, no meio do ruído, aquilo que merece ser preservado.
Cíntia Moscovich nasceu em Porto Alegre, em 1958. É autora, entre outros, da novela Duas iguais — Manual de amores e equívocos assemelhados e da coletânea contos Anotações durante o incêndio, ambos vencedores do Prêmio Açorianos de Literatura. Com Arquitetura do Arco-Íris, foi vencedora do Prêmio Jabuti, em 2005. Com Essa coisa brilhante que é a chuva, conquistou em 2012 os prêmios Portugal Telecom de Literatura e Clarice Lispector (da Fundação Biblioteca Nacional).
Foto: Luis Ventura
