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Chico Baldini traz o mar para Galeria Stockinger

Chico Baldini expõe universo onírico em 155 cadernos desenhados nos últimos 20 anos

Artista apresenta a exposição pássaro peixe coração sereia na Galeria Stockinger amanhã (18/6) às 18h

Seres humanos e animais habitam corpos únicos e criam um universo onírico e espetacular nas imagens da exposição pássaro peixe coração sereia, de Chico Baldini. São 155 cadernos com desenhos coloridos e em preto e branco, realizados nos últimos 20 anos – entre 2006 e 2026, que estarão nas paredes da Galeria Stockinger, no coração do bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, sua cidade natal. A mostra abre no dia 18 de junho e permanece até dia 8 de julho, quando acontecerá um bate-papo com o artista e uma visita guiada.

Produzidos entre reuniões e deslocamentos, os desenhos revelam o mundo de Baldini. “São uma maneira de fazer um diário, manter minha mente afiada, de conectar com o inconsciente e minha criança interior”, relata o artista. Ele conta que tenta desenhar pelo menos uma vez ao dia em diferentes momentos: em viagens, conversas com amigos, períodos de espera e tempos especialmente dedicados a este objetivo. O próprio formato dos cadernos, já que cabem no bolso, favorece a produção. “Eles estão sempre comigo”, revela.

As pinturas de Baldini já ilustraram livros, revistas, estampas de roupas, móveis e uma vaca do projeto Cow Parade. O trabalho do artista foi exposto no Brasil, Canadá, Estados Unidos, França e Alemanha, e seu portfólio publicado no livro Illustration Now 4, da editora Taschen. Nascido em Porto Alegre e formado em publicidade; em 2023, ele escolheu Salvador para morar e produzir sua arte. Em sua primeira individual na capital baiana, celebrou os 20 anos de desenhos produzidos initerruptamente. Agora a mostra vem para sua cidade-natal.

A partir das imagens dos cadernos, a exposição pássaro peixe coração sereia desfaz dicotomias entre começo e fim e apresenta fábulas visuais. “Não se trata apenas de um acúmulo de imagens, mas de uma prática artística que, ao longo de 20 anos, se constituiu como gesto queer, contornando, reconfigurando e questionando normas de forma, gênero, corpo e representação”, relatam os curadores da mostra, os artistas visuais Lanussi Pasquali e João Gravador.

Em pássaro peixe coração sereia, os cadernos serão colocados nas paredes da galeria em páginas abertas, fazendo com que as imagens carreguem consigo o avesso de outras que permanecem inacessíveis naquele instante. “O caderno surge como experimentação entre documento e obra, fluxo e recorte. Cada página aberta implica o fechamento de outra”, acrescentam os curadores.

A amiga e escritora gaúcha Letícia Wierzchowski faz um convite irresistível: “Vivam a obra do meu amigo, mergulhem nela e se embriaguem da sua beleza; às vezes quase cruel, às vezes pungente de lirismo, sempre e sempre fascinante. O trabalho de Chico Baldini é dionísico, gutural, esplêndido… O que a gente pode fazer mesmo é deixá-lo escorrer pela alma, e embriagar-se de sereias, faunos, peixes, cavalos alados e mistérios. Dancemos ao redor da imensa fogueira do talento Chico Baldini e cantemos sob o seu céu.” 

Para possibilitar que o público tenha acesso a um número maior de imagens, nos dias 22 de junho, às 15h, e no dia 8 de julho, às 16h, o artista realizará ativações: no dia 22 vai seguir trabalhando em imagens que também serão desenhadas nas paredes da galeria, permitindo que as pessoas conheçam mais da sua obra e no dia 8 haverá um bate-papo com o artista, seguida de uma visita guiada.

Chico Baldini nasceu em 1976 em Porto Alegre, onde se graduou em publicidade pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Estudou desenho e pintura na Parsons School of Design em Nova Iorque e no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre. Empreendedor, foi cofundador da W3haus, que se tornou a maior agência digital independente do Brasil. Atuou por mais de duas décadas como ilustrador e diretor criativo, período em que liderou a W3haus. Paralelamente, manteve uma prática contínua de desenho em pequenos cadernos, desenvolvida entre deslocamentos, reuniões e viagens — gesto que se tornou central em sua pesquisa. Por conta das demandas da empresa, viveu em São Paulo por 11 anos. Após a venda da agência, sua paixão pelo mar o levou a Florianópolis, onde descobriu a natação em águas abertas e iniciou uma dedicação plena ao desenho e à natação, o que aproxima sua produção de uma dimensão corporal e rítmica. “A necessidade de calor e de uma vida cultural mais colorida me trouxe à Bahia”, conta, Hoje, Baldini vive em Salvador, onde nada e desenha diariamente, trazendo as relações entre mar e inconsciente para a sua pesquisa em desenho. Sua pesquisa em desenho é  atravessada pelas relações entre mar, corpo e inconsciente. Participou de exposições individuais e coletivas em cidades como Porto Alegre, São Paulo e Salvador e integrou, em 2011, a publicação Illustration Now! Vol. 4.

No dia 22 de junho, às 15h, o artista desenha nas paredes da Galeria Stockinger e no dia 8 de julho, a partir das 16h, haverá um bate-papo com o artista, seguido de uma visita guiada. Imperdível! 

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