Sexto espetáculo de butoh da dupla Ana Medeiros e Hiroshi Nishiyama, Caminho de Dentro está entre os trabalhos selecionados para a X Mostra de Artes Cênicas e Música do Teatro Glênio Peres e será apresentado hoje (11/9) e amanhã (12/9), às 19h, com entrada franca. A distribuição de ingressos acontece exclusivamente de forma presencial na Seção de Memorial da Câmara Municipal de Porto Alegre, das 9h às 17h, durante a semana das apresentações, e meia hora antes das sessões, no foyer do Teatro Glênio Peres, conforme disponibilidade.
Ambos já indicados ao Prêmio Açorianos de Dança – sendo Ana vencedora em 2025 na categoria Intérprete Destaque por Mares e Nuvens Flutuantes –, os dançarinos conceberam Caminho de Dentro durante uma imersão no Japão, novamente sob a direção de Etsuko Ohno, esposa de Yoshito Ohno, além de figurinista e maquiadora do mestre (1938–2020). O trabalho marca os dez anos de parceria entre Ana e Nishiyama nos palcos, passando por universos que já não se acomodam em lugar nenhum e propondo uma jornada de passos ancorados entre a vida e a morte.
Caminho de Dentro conta com desenho sonoro do músico e compositor Carlos Ferreira, que, em sua incursão no butoh, cria texturas e camadas sonoras originais para o espaço. O cenário de Rodrigo Shalako acrescenta dimensão espacial à imagem de um labirinto e de uma floresta onírica, que se revela em meio a sombras e rastros de luz e dialoga com a iluminação idealizada por Carol Zimmer.
Por fim, os figurinos selecionados carregam memórias vivas, adicionando uma camada que altera a percepção sobre o corpo. Alguns pertenceram a Kazuo e Yoshito Ohno, enquanto outros foram elaborados por Etsuko Ohno. Há também peças garimpadas nas ruas de Tóquio e criações de ateliês e designers que reinventam constantemente a forma, como Issey Miyake, Junya Watanabe e Margarida Rache.
Sobre o butoh
O butoh é uma dança criada no Japão durante a década de 1950 por Kazuo Ohno e Tatsumi Hijikata. Para Yoshito sensei, filho de Kazuo Ohno, butoh é dançar a existência e estar em contato direto com o mundo à nossa volta: as violências, as tragédias. Dançar butoh é também encontrar o silêncio e a humanidade naquele que dança, “se revelando como uma flor, como a natureza e seus ciclos”.
No butoh, percebe-se o corpo criando e trazendo lugares e memórias à tona — um processo que se faz muito menos externamente. Os pés tocam o chão para marcar o tempo e trilhar histórias milenares, no contato de cada partícula de pele com cada milímetro de solo. Ana Medeiros e Nishiyama aprendem com Yoshito Ohno que dançar butoh é levar o âmago ao encontro do seu Shoshin (lugar de origem, primórdio, casa).
A entrada franca e a distribuição de ingressos acontece na Seção de Memorial da Câmara Municipal de Porto Alegre, das 9h às 17h, durante a semana das apresentações, e meia hora antes das sessões, no foyer do Teatro Glênio Peres, conforme disponibilidade.
