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ArTEAndo: o projeto de Adriana Schlabendorff promove encontros terapêuticos com experimentação artística para autistas e famílias

ArTEAndo: o projeto de Adriana Schlabendorff que promove encontros terapêuticos com experimentação artística para autistas e suas famílias

Localizado em São Paulo (SP), o ateliê da artista plástica gaúcha Adriana Schlabendorff é a casa do arTEAndo, um projeto de arteterapia criado por ela nos últimos anos para pessoas dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em diversas faixas etárias, seus familiares e todos aqueles que buscam na arte um caminho de expressão, acolhimento e desenvolvimento.

Doutora pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisadora, artista plástica e arteterapeuta, Adriana teve a sua percepção sobre a própria arte transformada pela maternidade ao acompanhar o desenvolvimento dos filhos autistas.

“A arte não entrou na minha vida por causa do autismo. A arte sempre esteve presente. Mas foi o autismo que me ensinou a compreender a profundidade humana da arte”, compartilha. “Ao longo dessa trajetória, percebi na prática o quanto a arte pode abrir caminhos de comunicação e fortalecimento de vínculos quando as palavras nem sempre dão conta.”

A partir dessa vivência, Adriana buscou formação na área e começou a estruturar um trabalho que reunisse sua experiência artística, acadêmica e pessoal. Assim nasceu o arTEAndo, que ela descreve como mais do que um espaço para fazer arte: “É um lugar de encontro, expressão e construção de sentido”. Por muito tempo, a sociedade em geral percebeu o autismo principalmente a partir das dificuldades e déficits, mas a conscientização sobre o assunto tem mudado este rumo. “Felizmente, hoje temos avançado para uma compreensão mais ampla, que reconhece também potencialidades.”

Inclusão autêntica

Para Adriana, um dos aspectos mais belos da arteterapia consiste na atenção especial que o arteterapeuta dá para a saúde e não para o sintoma: “Trabalhamos com o que há de saudável no paciente e potencializamos isso.” Ela salienta: “Não trabalhamos para transformar pessoas com autismo em versões mais aceitáveis para a sociedade. Trabalhamos para ampliar possibilidades de expressão, comunicação, bem-estar, autonomia e participação social, respeitando quem cada pessoa é”.

Hoje, os atendimentos do arTEAndo acontecem principalmente no seu ateliê, em um ambiente pensado para favorecer tanto a experimentação artística quanto o encontro terapêutico, e não seguem uma fórmula única. Algumas pessoas encontram na pintura a sua maneira de comunicação. Outras se expressam através do desenho, da colagem, da argila ou de experiências sensoriais com diferentes materiais. “O mais importante não é o resultado final da obra, mas o percurso vivido durante a criação”, explica a artista.

Dentro do arTEAndo, Adriana também desenvolve grupos voltados para mães e familiares de autistas, pois acredita que o cuidado precisa alcançar toda a rede de relações que envolve cada pessoa. Desse modo, a compreensão ampliada do cuidado aparece em outra dimensão do seu projeto: uma parcela significativa dos atendimentos é oferecida gratuitamente a pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade econômica. Este movimento, segundo a artista, não está relacionado à caridade, mas a um compromisso humano.

Ao longo dos anos, Adriana tem testemunhado de perto a realidade de inúmeras famílias que enfrentam dificuldades para acessar acompanhamentos especializados. “Encontrei mães que carregam praticamente sozinhas o peso do cuidado, enfrentando longas filas de espera, dificuldades financeiras e a insuficiência das políticas públicas. São mulheres que lutam diariamente, muitas vezes para além dos limites da exaustão, sustentando com coragem e amor a vida de seus filhos.”

Na visão de Adriana, o arTEAndo transcende o universo do autismo e se constitui, acima de tudo, como um projeto sobre encontros humanos. “Em um tempo em que tantas relações são mediadas por telas, diagnósticos e resultados, acredito profundamente no valor dos espaços onde as pessoas possam simplesmente criar, experimentar, sentir e ser acolhidas. A arte nos ensina que transformação não significa apagar quem somos, mas criar novas possibilidades a partir daquilo que somos.”

Para mais informações sobre o projeto, acesse @ar_tea_ando e @adrianaschlabendorff no Instagram.

Por Clara Jardim, jornalista

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