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Colônia de Sacramento | Mais que um lugar, um tempo

Nas entrelinhas desta História com H maiúsculo, repetida pelos livros, recitada pelos guias e reconhecida pela Unesco, eu encontro a cidade que, para mim, faz do encanto algo cotidiano. Por favor, não me entendam mal, eu adoro lugares repletos de história, Patrimônio Cultural da Humanidade… É que, na minha opinião, Colônia é muito mais que isso.


Costumo dizer que Colônia não é só um lugar, é um tempo. Tempo como época, momento ou ritmo. Época em que as pessoas paravam para conversar com os vizinhos, caminhavam à noite, e as crianças brincavam nas ruas. Momentos criados pela aparente falta do que fazer. Um ritmo de vida que de tão esquecido parece coisa do século passado.

Colônia é um reencontro com velhos hábitos e valores esquecidos. Com um jeito simples de viver a vida. Comer sem pressa de sair da mesa. Acordar cedo, para ver a cidade dormindo. Passear à noite para viajar 300 anos ou comprar frutas em um armazém para voltar 30. A velocidade daqui acalma o coração. Os olhos já não vigiam, apreciam a beleza das coisas mais simples.


Como não há muito o que fazer, resta nos dar um tempo para o relógio e experimentar, profundamente, cada um desses momentos. Também digo que Colônia é muito mais porque seus encantos vão além dos limites do seu bairro histórico. Há muitos tesouros, que se espalham pelo resto da cidade e do Departamento (o Uruguai é dividido em 19 deles), esperando pelos exploradores que se aventuram além de sua muralha. A Oeste, pedalando 30 minutos, chega-se a El Caño.


Uma área de sítios e pequenas propriedades rurais, com suas laranjeiras e oliveiras, além de praias quase desertas. A uma hora de carro, Carmelo, com suas vinícolas boutique e algumas das opções mais sofisticadas da região, sem falar em ótimos lugares para um piquenique. No caminho, mais história.
Conchilas, pequena vila Patrimônio Histórico Nacional, e a Calera de Las Huérfanas, ruínas jesuíticas. Para o Leste, mais playas, canteras (lagos formados em pedreiras abandonadas) e pueblitos, como Riachuelo e La Paz.


Nos últimos anos, a oferta gastronômica e hoteleira melhorou muito. Bons lugares, charmosos e autênticos, já não são raridade. São quase sempre itens valorizando a escala humana, o atendimento e a qualidade. Mais projetos de vida que negócios, eles ajudam a perceber outro fator de encanto deste povoado (sim, somos apenas 25 mil habitantes): Colônia é cosmopolita.


Não somente pelos visitantes que circulam diariamente pelas calles, deixando o bairro com ares de Babel. Mas principalmente por aqueles que escolheram viver aqui. Pessoas de diversos países que, depois de passarem alguns dias na cidade, sentem-se mais em casa do que em suas próprias casas, e decidem mudar de vida. Elas encontram no Uruguai um lugar perfeito para desacelerar, recomeçar, realizar sonhos e perseguir coisas tão simples quanto tundamentals, como paz, gentileza e equilíbrio.
Colônia do Sacramento, mais que visitada, deve ser vivida. Por um dia, uma semana ou uma década. Não importa. Se você acha que ter tempo é um luxo, e a tranquilidade, um grande tesouro, você também vai sentir-se em casa.

Por Eduardo Álvares

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