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The Lincoln Park e Outros Lugares

Está muito bonita a exposição The Lincoln Park e Outros Lugares, aberta no último dia 16 e que poderá ser visitada até o dia 7 de setembro. No Centro Histórico de Porto Alegre, o Espaço Cultural do Hotel Praça da Matriz (HPM) é classudo e avança em seu segundo ano de atividades. Os 20 desenhos inéditos do artista plástico Paulo Amaral, foram criados durante recente viagem aos Estados Unidos. A mostra – sua primeira individual em quase dois anos – pode ser visitada de segunda a sexta, das 10h às 18h no Largo João Amorim de Albuquerque, próximo ao Theatro São Pedro. Hoje (27/8) e na próxima quarta-feira (3/9) estão programados dois encontros do projeto Roda de Cultura, quando o artista receberá o público para um bate-papo descontraído sobre sua obra e trajetória às 17h.

A série captura paisagens naturais pela expressão criativa do traço de lápis e carvão de Paulo sobre papel ou tecido em diversas dimensões. Alternando obras figurativas e pinturas semiabstratas, Paulo traz uma perspectiva da vida cotidiana com seu estilo particular. Sobre o processo criativo e a inspiração, o artista no relata em primeira pessoa:

“Cheguei de manhã em Chicago e saí a flanar pelo Lincoln Park, em frente ao hotel. Imerso naquele universo verde, eu refletia sobre a frequente falta de abordagem da natureza em minha pintura, mais conhecida por cenários de grandes metrópoles e arranha-céus, que desta vez deixei de lado. E me deliciei por alguns dias naquele vasto e belo parque, caminhando a esmo enquanto contemplava árvores em plena floração na Primavera, com troncos vigorosos e galhos secos pela ação insistente do vento. Fiz anotações e esboços no pequeno bloco de viagem que sempre levo comigo, mas que raramente uso, e me conduzi por um prazeroso retorno ao desenho e a um flerte com o grafismo, que são, em síntese, embriões da arte visual, embora muitos discordem. De volta ao ateliê procurei produzir em tamanhos maiores alguns traços persistentes em minha memória e imaginação daqueles dias, como usualmente pinto, baseado em lembranças de viagens, mas agora utilizando a técnica de carvão ou grafite sobre papel ou tecido; algo mais solto, mais livre do que o apurado exercício pictórico que, por hábito ou necessidade, termina por me aprisionar a uma espécie de formalismo bloqueador de alguma espontaneidade. Foi este o start desta exposição a que denominei The Lincoln Park e outros lugares, e que contém outros trabalhos, na mesma técnica, sobre locais em que a Natureza se impôs como motivo.”  

Paulo Amaral (Inverno de 2025)

Sobre o artista

Paulo Amaral nasceu em Bagé, Rio Grande do Sul, em 9 de abril de 1950. Iniciou seus estudos em pintura na Califórnia, USA, onde viveu em 1967. No Rio de Janeiro, nos anos 1970, filiou-se à Sociedade Brasileira de Belas Artes. Formou-se engenheiro civil em 1974, tendo exercido carreira por 30 anos em Porto Alegre, onde também presidiu o SINDUSCON-RS. Suas atividades no campo das artes não se restringiram aos ofícios da pintura e da escultura. Dirigiu o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) por três períodos: (1997-1998, no qual conduziu as obras de definitivo restauro da instituição), (2003-2006) e (2015-2018). Foi representante e curador, pelo Rio Grande do Sul, da Saison Brésil-France–2005 (Ano do Brasil na França). Foi curador do Memorial da Livraria do Globo e do Memorial da OSPA (Orquestra Sinfônica de Porto Alegre) na qual ocupa o cargo de Conselheiro. Como pesquisador de artes visuais e escritor, é autor de textos críticos em livros, publicações em jornais e de apresentação de artistas. Seu currículo conta mais de cinquenta exposições individuais no Brasil e no exterior, cerca de 160 mostras coletivas, participações em salões de arte, como artista e como jurado, e integra acervos de museus brasileiros e estrangeiros. Em 1994 recebeu a Ordem do Mérito das Belas Artes, no grau de Comendador. Foi Diretor artístico cultural da Secretaria Estadual de Cultura do Rio Grande do Sul entre os anos 2015 e 2018, é membro de Grau da Academia Brasileira de Belas Artes, titular da Cadeira de Antônio Parreiras, egresso da Cadeira Livre número 45, patronímica de Emiliano Augusto de Albuquerque Mello (Di Cavalcanti). Cidadão Honorífico de Porto Alegre, Paulo Amaral presidiu o IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus), órgão do governo federal, sendo a autoridade museal nacional, ocupando os cargos de Presidente do Conselho Consultivo do Patrimônio Museológico (CCPM), do Sistema Brasileiro de Museus (SBM). Em 2021 recebeu a Medalha Simões Lopes Neto, honraria concedida pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul por sua colaboração à Cultura. Atualmente ocupa a Coordenação de Artes Visuais da Secretaria Municipal de Porto Alegre, dedicando-se a curadorias e pesquisas e à organização e direção da construção do Museu de Arte de Porto Alegre (MAPA). 

Foto: Nilton Santolin

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