Filha única, Cristiane Cavalcante foi uma criança e adolescente alegre ao lado dos pais em Porto Alegre, cidade em que nasceu. Até que, aos 21 anos, decidiu que seria modelo da agência Elite, em Paris.
Sabe aquelas listas de sonhos ou projetos de vida que meninas românticas escrevem em papeizinhos dobrados ou páginas de agendas velhas a cada fim de ano?
Organizando, no início de 2015, a mudança de Nova York para Nova Jersey com o marido, Brent Buntin, e os filhos, Yasmin e Joaquim, Cris encontrou antigas frases suas dizendo assim: viver feliz com minha família em uma casa de campo de filme americano.
Essa história começa em 1996, quando Cris, no início de sua carreira de modelo, passou por Paris e foi para a Suíça, onde morou durante cinco anos. A rotina de trabalho era desfilar e fotografar em Paris, na Alemanha e na Áustria, entre outros cantos do mundo: “No tempo livre, eu ficava fascinada turistando. Antes de ser modelo, queria ser bailarina e me formar no Royal Ballet. “
Mas um tio atrapalhou e mandou fotos da linda sobrinha para o concurso The Look of the Year. Entre as finalistas regionais em 1992, no ano seguinte, no Rio de Janeiro, ela ficou com o terceiro lugar. Depois de terminar o namoro com um suiço, em 2001, decidiu deixar os projetos profissionais mais soltos e quem sabe ensaiar uma volta ao Brasil.
Com a Oficina de Atores da Globo e com as colegas teve a chance de fazer pequenos papéis em novelas, não aproveitou. Foi nesse bochincho global e tropical batizado Rio de Janeiro que Cris conheceu o ameri cano Brent. Ele vinha de mochilão desde a América Central. Sua ideia sempre foi acabar a aventura no Brasil. O que não estava exatamente no roteiro era voltar apaixonado pelo Brasil e por uma brasileira.
Bom de papo, logo se enturmou e descolou uns bicos na Globo e também dando aula de inglês. A carreira de atriz de Cris não era a mais promissora: “Não estava disposta a fazer a mulatinha brejeira, empregadinha ou beijar velho na boca. Tinha umas aulas de Shakespeare superintensas, e eu mais preocupada com o agito da noite. Vi que não era minha praia, pois não queria fazer sacrifício nenhum pela carreira. Tava mais pela bagunça”
O reencontro dos dois foi numa madrugada quente na pizzaria Guanabara do Leblon, e o namoro engatou. Ela na ponte área para São Paulo, onde rolavam os trabalhos. Ele seguia com seu divertido ano sabático na Favela do Vidigal, no tempo em que as pousadas ali não tinham nada de cool. Era pura vida real para gringo ver. Brent viu e adorou! Aos 28 anos, apareceu uma nova oportunidade na carreira de modelo da gaúcha.
Ela foi convidada para fazer parte do casting da Madison Agency, de NY: “Aos 28 anos, eu não podia perder a oportunidade de trabalhar fora um pouco mais como modelo, que tem prazo de validade”. O convite da agência chegou em fevereiro, e em outubro Cris recebeu um ultimato. Ou comparecia para trabalhar, ou a proposta estava desfeita. Antes de embarcar para NY, Brent pediu as informações do meu voo. Imaginei que mandaria flores, apareceria, sei lá. Qualquer coisa, menos sair do Rio de Janeiro, onde ele estava feliz. Quando chamaram o voo, ele me mostrou os bilhetes e disse: ‘tô indo junto’.”
O casamento foi uma linda festa de muitas línguas em Paraty, com turmas animadas gaúchas, da moda, do Vidigal e de Atlanta. Essa história ainda tem mais capítulos pela frente, mas a dupla já vive feliz para sempre ao lado dos filhos na tranquila Nova Jersey.
Além do português e do inglês, as crianças arranham no espanhol, o idioma das babás. Uma mão na roda para quem tem papais aventureiros e viajantes como Yasmin e Joaquim. Eles já carimbaran passaportes com destinos inusitados, como Índia, Porto Rico, Costa Rica, Bósnia, Albânia: “Queremos levar nossos filhos para o Xingu”, adianta Cris, e completa com uma dica tão bonita como ela: Na vida é preciso inspirar-se, ou nada acontece.
Por Mariana Bertolucci
