Xavier Gamez ousa e deleita com suas misturas singulares como as versões para a copa de camarão, polvo da Galícia e bacalhau rosa. Ele defende voraz e apaixonadamente a independência catalã, teoriza sobre o paladar do brasileiro e apaga incêndios comuns a qualquer empresário que investe no próprio negócio. O catalão (e eu que arriscasse não apresentá-lo como tal) Xavier Gamez é metódico com os tempos e medidas dos ingredientes de seu banquete para seleta clientela do Xavier, considerado há alguns anos a melhor gastronomia contemporânea da capital gaúcha. Ele trocou a sólida carreira de engenheiro químico e executivo em multinacionais pela de chef de cozinha.
Sempre na indústria farmacêutica e com pesquisa científica na área de gerência de produção. Ramo que o trouxe para o Brasil, onde ainda atuou por alguns anos. Na Catalunha estão as duas filhas, e a origem de sua inspiração, que aqui tomou ares profissionais: “Era um hobby a que me dedicava com muito prazer”. O relacionamento com a reumatologista gaúcha Tamara Mucenic foi um dos motivos pelo qual declinou de uma proposta de voltar à Espanha: “Estava apaixonado, não queria voltar, decidi sair da empresa. Tinha duas opções, a experiência na minha área ou a cozinha. O pensamento foca.”
O relax do catalão virou profissão quando abriu as portas do restaurante, inicialmente só aos sábados com reservas e em eventos corporativos. A experiência gastronômica ainda era pouco comum por aqui, a cada 15 dias o cardápio mudava da entrada à sobremesa em seu menu-degustação, que tornaram-se queridinhos de brasileiros e estrangeiros, fruto de excelentes avaliações em publicações nacionais e internacionais. Parte significativa de seu público não é local, o que não esmorece o projeto culinário: “É o primeiro restaurante essencialmente catalão do Brasil. Na Catalunha são mil anos de educação em gastronomia, formando e educando um paladar autêntico. Minha ideia foi fomentar o polo gastronômico que a cidade não tinha. Um restaurante mundial, que foi se encorpando durante a época da Copa do Mundo do Brasil, em 2014.”
Época em que encantou paladares de torcedores e clientes de Honduras, França, Argentina e Holanda. Se durante a tarde nossa entrevista presencial, conheci um Xavier intenso e racional com as perspectivas de mercado, na mesma noite, quem me recebeu para o jantar foi um sereno anfitrião cheio de prazer com sua criação. Deliciando-me com ceviche de bacalhau e lula, compreendi um pouco da sua obsessão por insumos frescos nos quatro cantos do estado. Garoupa, marisco branco, corvinas douradas, codornas, cordeiros orgânicos… Material de primeira ordem, gastronomia de raiz, de vanguarda, com toque brasileiro. Com o cafezinho, um teste de bombom de pinhão com goiabada. E o que encanta o chef catalão por aqui? “Vocês são entusiastas, empolgados, é gratificante sentir que a pessoa ficou feliz comendo.” Não é para menos, chef Xavier.
Com uma proposta diferente do antigo Xavier 260, mas na mesma rua (Auxiliadora, 260) e totalmente reformulado, desde sua inauguração em 2017, o Restaurante Xavier oferece um menu diversificado, dividido em três espaços físicos diferentes. Cada um dos ambientes tem cardápio próprio. O pátio é supergostoso para um happy hour descontraído, com drinks e aperitivos, e tem um menu especial de tapas.
No Salão Principal são servidos pratos mais sofisticados, com receitas elaboradas por Xavier ao longo de sua carreira, incluindo carnes, frutos do mar e vegetarianos. A carta de bebidas também é requintada, com rótulos de vinhos e espumantes do mundo todo, privilegiando também as vinícolas gaúchas. A Sala Matsuo, localizada no segundo andar da casa, é destinada a eventos corporativos e sociais e irá operar com agendamento prévio, qualquer dia da semana. O ambiente reservado conta com um desenho do artista Pedro Matsuo, que deu o nome ao local. Para reservas no restaurante: (51) 3095-0551. Para reserva da Sala Matsuo (destinada a eventos corporativos e sociais e irá operar com agendamento prévio, qualquer dia da semana): (51) 99424-1232.
Se durante a tarde nossa entrevista presencial, conheci um Xavier intenso e racional com as perspectivas de mercado, na mesma noite, quem me recebeu para o jantar foi um sereno anfitrião cheio de prazer com sua criação. Deliciando-me com ceviche de bacalhau e lula, compreendi um pouco da sua obsessão por insumos frescos nos quatro cantos do estado. Garoupa, marisco branco, corvinas douradas, codornas, cordeiros orgânicos… Material de primeira ordem, gastronomia de raiz, de vanguarda, com toque brasileiro. Com o cafezinho, um teste de bombom de pinhão com goiabada. E o que encanta o chef catalão por aqui? “Vocês são entusiastas, empolgados, é gratificante sentir que a pessoa ficou feliz comendo.” Não é para menos, Chef Xavier.
Por Mariana Bertolucci
Foto: Divulgação
