Chega a jato e sem freio mais um fim de ano. Em casa, em algum canto do litoral, no mato de sempre ou conhecendo outros lugares, o novo ciclo pode chegar afobado ou sereno, festivo ou relaxante, mas traz sempre aquela visita inevitável do futuro caminhando afoito e destemido na nossa direção. E nós? Como estamos a esperá-lo? Dispostas e dispostos a seguir o caminho sonhando e dando o nosso melhor ou cansadas e cansados de repetir listas de promessas, pular ondinhas ou escolher a cor da sorte para virar mais um dia 31? A minha é prata! Sem pensar muito ou pensando sem parar, o que vale é saber que somente nós temos a responsabilidade de cocriar “nossa existência”. Se “viver é desenhar sem borracha” como dizia o Millôr Fernandes, ninguém pinta a vida com cores boas e beleza com medo de errar.  

2025 não veio passear. Foi corrido e cheio de emoções. Ganhamos Oscar, Globo de Ouro e ainda estamos aqui orgulhosos torcendo por mais com O Agente Secreto. Embalamos bebês de borracha, nos despedimos do Papa Francisco, bebemos drinks com metanol, discutimos medidas contra o aquecimento global, enquanto cada vez mais tragédias climáticas clamam por uma urgência de ações coletivas para salvar o planeta e a humanidade. Os três poderes seguem se engalfinhando vergonhosamente como num ringue de “lucha libre mexicana”. O Centrão ainda manda no jogo fétido do poder, seguem as fraudes com os aposentados do INSS, e a boiada passa lépida e faceira se alimentando cada vez de mais do ódio, da inveja e do vazio digital. O crime organizado no Brasil continua bem organizado, distribuindo combustível adulterado, drogas e medo. Os casos de pedofilia engordam as estatísticas. Foram-se Preta, Briggite, Diane e outras mulheres fortes mortas pela epidemia brutal do feminicídio. Mas, mesmo que timidamente o desemprego e a situação de fome diminuíram no Brasil. Avançam as pesquisas e os recursos para vencer doenças graves como o câncer e o tratamento experimental que reverteu a lesão na coluna de uma vítima de acidente é um dos promissores presentes que ganhamos da ciência no ano que passou.

O bom de assistir ao tempo passar, cada vez mais veloz, é que vamos percebendo três coisas: o que nos faz bem, o que nos faz mal e que talvez já tenhamos vivido mais do que iremos viver. E isso assusta? A mim sim. A sorte que enquanto perdemos quilos de colágeno ganhamos toneladas poderosas de nós mesmas. Me perguntam como consigo fazer tanta coisa. Nem sei o que responder, sou agitada mesmo. Difícil não prestigiar quem eu gosto, estar com as amigas, a família e encarar todo e qualquer desafio que eu recebo para encontrar cada vez mais a minha voz e ser ponte de histórias e pessoas inspiradoras. Não raro eu respondo com sorriso amarelo que “feito é melhor que perfeito”. Mas não é só isso não. E essa resposta você não encontrará jamais na IA. Eu, você e qualquer ser humano temos todos os dias a escolha de encher o tanque da alma com o único combustível capaz de transformar, acabar com conflitos e mover tudo e todos: o amor. O medo de altura me paralisa, mas nunca temi o amor. Ele que aponta todos os caminhos. Erro, choro, grito, exagero, hiperfoco, recomeço, vou de novo, quebro a cara, insisto, reformulo e vou de novo mais uma vez. De formas diferentes mas na mesmíssima direção. Há anos, repito vestidos, casacos e bolsas, mas troco de pele o dia inteiro com quem sofre injustiça e sente dor. Não necessariamente estou bem sempre e sou saudável. Porque misturo tudo em mim. As minhas vontades e angústias com as dos outros. Meu pensamento é indomável e disperso, mas é bem no meio do peito que estão as respostas que me acalmam. É sempre sobre amar e sorrir. Com toda a loucurada, a vida é boa, eternizou o meu amigo David Coimbra. Abra-se para o amor. Ele pode estar em qualquer novo ou antigo sonho e também escondidinho lá no outro lado do oceano. Mas de tanque cheio, esse foguete muda o mundo. E o combustível não tá R$ 6,29 o litro. É grátis e mora dentro de nós. Vem 2026! Voemos! Juntas e juntos sempre.

“Me tengo que estar sola con mi alma

Nada vale mas que lá risa

Es fuerza rir e abandonar-se”

Trecho de Amores, de Marissa Mur

Com amor,

Mariana Bertolucci

Foto: Heloisa Medeiros

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  1. Laura Porto Rangel says:

    Maravilhosamente passate ä limpo â lá Bertolucci!!
    o que e quem tu és .
    Te amo amiguinha . Continues está luz no caminho de outras escritoras e amigas.
    Laura Porto Rangel

  2. Eduardo B Krause says:

    2026 chega a jato mesmo. Mais um muro que vamos pular, sempre tem outro a frente, vamos pular também. Um passo em busca dos sonhos, o outro acertando o rumo. Beijo grande. Krause e Maria Alice.

  3. Paulo Boa Nova says:

    Maravilhoso teu texto, querida amiga Mari. Tua escrita é muito criativa e original. Muito obrigado. Feliz Ano Novo para ti e tua querida família. 🥂

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